segunda-feira, junho 13, 2005

Douro às "cegas"

À uns dias participei numa prova cega para a eleição de um vinho branco e outro tinto ambos da Região do Douro para serem servidos num jantar. Estavam à prova 32 vinhos, 22 tintos e 10 brancos. Pela importância do evento onde os dois vinhos escolhidos iriam ser sevidos, estava à espera de provar a “nata” do Douro. No que respeita aos brancos que lá estavam, eram concerteza dos melhores brancos da Região, já os tintos deixaram-me um pouco desiludido.

Naqueles 22 tintos, apanhei um pouco de tudo, vinhos oxidados (etanal por todo lado), parece que alguém se tinha esquecido da cuba aberta, vinhos com o cavalo (4-etil-fenol) pouco cansado, outros com o cavalo já a desfazer-se e ainda alguns envernizados (acetato de etilo). Contudo não deixaram de aparecer aqueles Douros, quentes e com profundidade, bem maduros e com uma madeira brutal. No fundo o bom e mau do Douro num só “flight”.

Já nos brancos a história foi outra, os brancos eram todos bem expressivos, alguns a recorrer ao toque “terpénico” dos Moscateis, que para mim, embora comercialmente interessante tira um pouco o valor à excelência dos grandes brancos. Também passei por brancos com madeira a cobrir a fruta e não a transportá-la. O mais interessante de notar é que andamos todos à volta dos tintos e cada vez a plantar menos brancos, e já não é a primeira vez que como nesta prova são os brancos que se destacam.

Será que o Douro só tem de viver de tintos ou serão também os brancos capazes de o elevar. Será somente a Touriga Nacional nobre ou no Douro o Gouveio e o Viosinho também lá podem chegar. Vou gostar de ver...
Vinho: Quinta do Vale Meão 2000

Produtor: Francisco Olozábal & Filhos lda.

Região: Douro Superior – Foz Côa

Aspecto: Cor ruby intensa

Aroma: Intenso, nota-se bem madeira, frescura do cravinho e aromas fumados ligeiros, a fruta bem madura está sempre presente, ameixa preta e bastante cacau.

Paladar: Redondo, a fruta e o cacau por todo o lado, é intenso, o cravinho dá-lhe uma boa frescura, boa madeira, para o lado verde mas a casra muito bem com o vinho, no final queima um pouco mas o sabor é bem persistente.

Apreciação Global: É um grande Douro, mostra bem o Douro Superior, é bem quente mas não mostra sobre maturação, a madeira está muito bem trabalhada, os 14,5 só se notam no final.

Nota: 18,5

terça-feira, junho 07, 2005

Vinho: 4 Caminhos Reserva 99

Região: Alentejo - Vidigueira

Aspecto: Cor ruby já a perder muito nas pontas;

Aroma: Intenso, chocolate com ginga, ainda com notas de caixa de cigarro;

Boca: Bom ataque e bom volume de meio de prova, alcool desintegardo, taninos bem maduros mas quase inexistentes.

Apreciação Global: Um vinho complexo no está no seu máximo de tempo de guarda, a beber já.

Nota: 16,2

Sugestão Gastronómica: Carne de Porco Estufada com castanhas, irónicamente uma receita do Douro.

Mondovino?

Faz agora uma semana que fui ver o tão falado filme/documentário, Mondovino. Passada uma semana ainda não parei de rir da imagem caricatural do famoso enólogo consultor Michel Rolland, bruto como não existe (a resolver tudo com microx.) e sempre a rir. Ainda não parei de sorrir dos pequenos produtores do “velho mundo”, os fortes opositores da globalização do vinho, de personalidade marcada, com raízes muito fortes na região e já com idade e historial para dizerem o que lhes apetece sobre os Mondavi, os Robert Parkers e os Michel Rollands.

O filme é no entanto super tendencioso, quase “endiabolizando” todos os motores da globalização do vinho participantes no documentário, os Rothschild, o Michel Rolland e clientes, os Mondavi, ao serem comparados com pequenas empresas familiares, amantes da arte do vinho e do negocio familiar e deixando ainda no ar a ligações dúbias de Robert Parker, o mais conceituado crítico de vinhos do mundo, com a industria Californiana de Vinhos e com Michel Rolland.

Não me parece justo comparar os “monstros económicos” mobilizadores da Globalização, com pequenos produtores familiares, porque a escolha recairá sempre sobre o mais fraco, mas poético e menos institucionalizado. Quando também nós “Velho Mundo” temos esses monstros bem menos bonitos. Porque é que não comparam os Mondavi com a Adega Cooperativa da Merceana (sem demérito para esta) para ver de quem gostam mais.

É importante também frisar que qualquer uma das empresas “monstro” citadas, faz dos melhores vinhos do mundo, e quando adquire uma propriedade é para fazer excelência. Quem é que já bebeu um “Opus One” e disse que não gostava, ok dá uns coices de “velho mundo”, mas delicioso. Quem é que provou um “Mouton Rothschild” e não gostou, pode se criticar por ser demasiado madeirizado, apetecível de mais e por não dar coices, como os austeros Bordéus, mas também delicioso.

Numa indústria com tanto “marteleiro”, tanta falta de exigência na qualidade de alguns produtores, deixar um tom de crítica a quem trabalha bem, a quem faz bons vinhos, a quem promove bem os vinhos e vende bem os vinhos parece-me pura demagogia.

Por isso caros Mondavis, Rothschilds, Rollands, Parkers sejam bem vindos a Portugal para produzir bom vinho, dar novos conselhos, comentários e promover a nossas regiões.

Quase a finalizar… Meu caro Jonathan Nossiter, para um filme com um nome tão pretensioso como Mondovino, existem apenas 5 países documentados em 2h15m de filme. Felizmente para todos nós existem mais países produtores de vinho no “velho mundo” do que a França e a Itália e infelizmente países bem mais ameaçadores do “Novo Mundo” do que os USA. Talvez o filme se devesse chamar “Os países que eu escolhi para fazer passar a minha ideia-VINO” ?


Em tom de conclusão… Vão ver que mesmo assim vale muito a pena, vale mesmo.

domingo, junho 05, 2005

E porque está na ordem do dia...


Sobreiros BES Posted by Hello

IWC e a ROLHA

O link abaixo leva-vos mais uma vez até ao IWC vs ROLHA. Um dos nossos enólogos, Miguel M. Chaves, leva pelas mãos da APCOR a notícia que o António já relatou até ao Diário Económico, .

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