quinta-feira, abril 28, 2005

"Vende-o TU!"

Numa prova, há uns dias, com o António, ele propôs-me começar a escrever para o “lóbi do vinho”. Foi a primeira vez que ouvi falar deste blog, no qual agora participo, com enologia de ponta...

Em França, Dom Perignon, um dos monges benedictinos que no sec. XVII habitava a abadia de Hautvillers, na região de Champagne e que seria, com alguma certeza, o enólogo da abadia, ficou na história como o inventor dos vinhos espumantes. O monge sem se aperceber que engarrafava vinhos com a fermentação alcoólica por terminar fazendo com que as rolhas das suas garrafas saltassem , não por obra do demónio, mas devido ao arranque de uma segunda fermentação (despoletada pela subida da temperatura com a chegada da Primavera), produziu o primeiro Champagne. Houve concerteza algum enólogo Italiano com semelhantes práticas. Em Itália, na região de Veneto, onde é produzido o Prosecco, existe documentado em 1710, o primeiro vinho espumante natural. Em Espanha, na Catalunha, aproveitando a hegemonia do Champagne nos finais do sec. XVIII associado a uma boa viticultura e castas brancas autoctones da região, surge o Cava, que é também já uma referência dos vinhos espumantes. O que escrevo é facilmente acessível numa rápida busca no Google. Mais difícil é tentar saber alguma história do espumante Português. Parece-me mais um dos nossos produtos vinícolas em que não conseguimos acertar no Marketing. Ao falarem com qualquer comercial a operar no mercado de exportação ligado a esta indústria e lhe pedirem: “Não queres pegar neste espumante para vender no mercado Inglês”, a resposta mais provavél será: “Vende-o tu!”. Isto acontece, não porque o que fazemos em Portugal ao nível dos espumantes tenha falta de qualidade ou carácter mas, talvez porque não temos por trás, um nome, uma história, uma região ou um País que só por si venda!
por Hélder Cunha
Vinho: Espumante Vértice Reserva Bruto 2000

Região: Douro - Alijó

Produtor: Caves Trasmontanas

Aspecto: Espuma persistente, cor palha ligeira, bolha muito fina

Aroma: Fermento, algum alperce e ginja, nota alguma boa evolução

Paladar: Tem volume, sente-se o fermento, a acidez cresce e segura o vinho, termina um pouco curto.

Apreciação Global: É um espumante bem trabalhado, muito correcto, está a evoluir bem, tem pouca intensidade aromática embora com alguma complexidade, bom volume na boca.

Nota: 16

por Hélder Cunha

Enologia de ponta...

Conforme combinado, aqui fica a actualização do Lóbi do Vinho. Desta feita com uma surpresa. Contamos com a simpática participação de mais um enólogo profissional. Bem-vindo Hélder Cunha.

sexta-feira, abril 22, 2005

A saga dos best sellers...

... Nos tempos em que era mais iletrado nesta questão dos vinhos, não era pouco comum ouvir o meu pai dizer que este ou aquele vinho não lhe “sabia” tão bem, como lhe tinha “sabido” na semana ou mês anterior Na altura achava que o devia ser “impressão” dele por falta de paladar afinado dos dois maços de Marlboro diário ou simplesmente influência das diferentes situações em que tinha provado o vinho. Na realidade ambas são em parte verdade, mas outra verdade também é que nas marcas ditas “best-sellers” com volumes de produção de milhões de garrafas, o vinho que está na garrafa em Março é normalmente diferente do vinho de Abril e ainda mais diferente será do vinho de Junho. Passo a explicar porquê. Para se fazer um engarrafamento é necessário antes fazer o loteamento ou “blend”, que consiste em misturar os diferentes vinhos da adega de castas ou localizações diferentes, de forma a atingir o vinho com o perfil pretendido. Até aqui tudo bem! O vinho tem então que ser transferido para uma ou mais cubas que vão alimentar a linha de engarrafamento. A realidade, é que é logisticamente impossível fazer um lote de 5 milhões de litros igual. As razões são as mais diversas, como: não existem normalmente reservatórios com mais de 250 000 nas adegas; o engarrafamento não é todo feito na mesma altura e por vezes o vinho vai sendo comprado pela adega a outros produtores de acordo com as necessidades. A realidade é que normalmente se tentam fazer vários lotes com características semelhantes e vai-se mantendo, quando há esse cuidado, cerca de 25% do lote anterior. Até aqui ainda tudo, mais ou menos bem! O problema, ou por outra, a falta de honestidade de alguns best-sellers aí da praça, é colocar lotes com característica muito melhores no inicio, na altura de lançamento da nova colheita, de forma a agarrarem o consumidor, e então depois os piores. Depois do consumidor agarrado, altura em que este solta então o comentário “Isto já me “soube” melhor”. A título de experiência comprem duas garrafas de “Montes Idosos 2004” bebam agora um e guardem o outro. Agora até eu gosto, lá para Julho comprem de novo a mesma garrafa e comparem. Para quem quer fugir disto, procurem produtores de volumes mais pequenos que garantem consistência dentro da mesma colheita. O que, para além disso, sempre é mais original.
por António Maçanita
Vinho: Touriga Nacional 2003

Produtor: Borges

Cor: Violeta Intenso, concentrado e muito límpido.

Nariz: Intenso, Limpo aromas florais da Touriga nacional.

Boca: Entrada cheia, encorpado, presença de aroma na retro nasal, fim de boca com algum amargor e acidez, taninos presentes.

Apreciação Global: Um bom Touriga peca, como muitos Tourigas mono casta pela simplicidade do aroma.

por António Maçanita

domingo, abril 17, 2005

Vinho: Monte do Travesso 2003

Produtor:
Bernardo Nápoles

Cor: Cor violeta escuro Intenso, concentrado até às pontas.

Nariz: Intenso, aroma ainda pouco definido, algumas notas de madeira e toques herbáceos

Boca: Super entrada, bom volume, taninos evoluídos e firmes, alguma insistência do aroma herbáceo na retro nasal, boa persistência no fim de prova.

Apreciação Global: Um vinho com grande potencial. Com uma boca e cor excepcionais infelizmente com um aroma abaixo do conjunto.

Nota: 16.5

por
António Maçanita

Desculpas do Lóbi do Vinho

As nossas desculpas pela falta de actualização deste blogue. Doravante serão apresentadas provas de vinho todas as quintas-feiras.