sábado, janeiro 29, 2005

... Na minha volta pelas adegas ...

À medida que vou provando mais um “Ribatejo” que chega a 3 euros mais trocos às prateleiras das grandes superfícies, mais me apercebo como algumas regiões continuam super inflacionadas em relação a outras, ou por outra sub inflacionadas em relação a outras. Passo a explicar: este vinho bate-se de frente com qualquer 5-6 euros do Alentejo, não pondo na mesma corrida os “best sellers” nacionais, os tais “Montes idosos” ou “Petiquitas”, que esses apanhavam 10-0 deste vinho, ainda que no preço estejam na casa dos 4-5 euros. Bem! O Ribatejo continua a carregar o peso da sua história de “marteleiro”, apesar dos esforços, já com resultados, de muitos produtores para uma produção mais em qualidade que em quantidade, enquanto outros, o indiscutível Alentejo que representa neste momento 60% das prateleiras das grandes superfícies e 50% do mercado engarrafado nacional, folga de uma reputação, merecida, de vinhos de qualidade. Merecida porquê? Porque, prima por não fazer, ou quase não fazer maus vinhos, querendo isto dizer que o consumidor pouco informado escolhendo “ao calhas” um vinho alentejano (isto se não escolher os anteriores referidos, porque os conhece) tem menor probabilidade de apanhar um mau vinho, do que se se virar para as outras regiões. Mas, o reverso da medalha é que os vinhos alentejanos estão por regra mais caros quando comparados por vinhos de qualidade idêntica de outras regiões, sendo dificilmente um “best buy”. Uma grande prova disto é a dificuldade que o Alentejo tem na exportação de vinho quando comparado com Ribatejo e Estremadura em que existem várias companhias que chegam a exportar 90% da sua produção. Ao que parece está mais fácil vender caro em Portugal do que no estrangeiro… Deve ser da crise!
Importante lembrar que sou produtor de vinho no Alentejo.

(Sugestão gastronómica: um bom vinho para acompanhar com um “prato de carne de Almeirim pouco condimentado, de carnes vermelhas ou caça”)


por
António Maçanita

Vinho: Nova Safra 2002

Produtor: Pinhal da Torre - Ribatejo

Cor: Boa cor, tons de violeta, limpo, não é super intenso, mas bom

Nariz: Intenso, aroma a cabedal fundido com frutas vermelhas, alguma complexidade

Boca: Boa entrada, meio-corpo, acidez super presente e bons taninos ...

Apreciação Global: Mais um bom vinho, este já com notas de envelhecimento, talvez um pouco duro para o consumidor apreciador de vinhos suaves.

Nota: 15,8

por António Maçanita

segunda-feira, janeiro 24, 2005

Restaurante O Fuso
Rua Cândido dos Reis, nº 94
2630 - 216 Arruda dos Vinhos


Da lista que nos é proposta, não pude deixar de optar pelo bacalhau na brasa por ser o que realmente torna o fuso um restaurante conhecido e falado, dentro e fora de Arruda dos Vinhos.
O bacalhau é assado na brasa logo na entrada do restaurante, numa magnífica “lareira” onde também são assados os enchidos que são servidos de entrada.
Assim que o fiel amigo chega à mesa, compreendemos o preço que à partida nos parece excessivo em comparação com os restantes pratos listados. A dose que é servida é verdadeiramente de “enfarta brutos”, servindo à vontade para duas pessoas que comam bem. Pena que não vendam meia dose…
O prato é de uma qualidade notável, o nível de salinidade, tão importante para a qualidade do bacalhau, é homogéneo tanto nas partes altas com nas partes mais baixas do bacalhau. É servido numa enorme travessa com muito azeite e alho e acompanhado de batatas cozidas. Sem dúvida vale a pena experimentar este prato mas nunca é demais referir que é um erro tentar comer uma dose sozinho apesar de o empregado nos ter garantido que há quem o faça.
bacalhau por CSDA


Paletilha de cordero lechal
é uma novidade no Fuso. Estamos na dúvida, quantas mais certezas temos. De tantas vezes ter repetido que ia para o bacalhau ou para a costeleta, encarregou-se o mundo de servir uma novidade (para mim). Foi então que decidi pedir meia dose de paletilha de cordero lechal. Num primeiro julgamento, considerei uma forte estocada no meu nacionalismo. Considerava ultrajante inaugurar as apreciações de restaurantes no Lóbi do Vinho, com um prato cuja essência grassou no país vizinho. Mas foi mesmo isso.
Prato servido aos fins-de-semana (informação do assistente), chegou para me esclarecer face à costeleta. A possibilidade de escolher meia dose, e o potentíssimo sabor da carne (que nem sempre se pode encontrar na costeleta transformada pelas brasas), fazem deste prato de fim-de-semana, a segunda escolha no Fuso. Naturalmente que o primeiro lugar é propriedade do bacalhau.
No Fuso, somos surpreendidos pela constância de uma boa refeição. Por vezes temos a sorte de escolher um bom restaurante, mas encontramos falhas ora no serviço, ora nas entradas ou nos pratos. Não no Fuso.
Contudo, entendamos todos estes elogios sem embargo de nos revoltarmos perante os preços. Sem sobremesa e com vinho, a nossa visita a Arruda quedou-se pelos trinta e cinco euros por pessoa. Um exagero típico dos restaurantes afamados.
paletilha de cordero lechal por JCS

domingo, janeiro 23, 2005

Já temos o primeiro restaurante visitado. Fomos a Arruda dos Vinhos ao Fuso, e contamos relatar aqui a comezaina (dentro de momentos). Entretanto, deixo-vos aqui o vinho que nos acompanhou, por sugestão de António Maçanita.

Quinta dos Aciprestes
Douro
2001

quarta-feira, janeiro 19, 2005

Vinho: Dignitas 2003

Produtor: Herdade Outeiro de Esquila

Cor: Intenso, violeta escuro, concentrado

Nariz: Intenso, toques de anis, baunilha; fruta madura, madeira bem integrado

Boca: Boa entrada, cheio; taninos presentes e finos, boa persistência, um pouco alcoólico no fim.

Apreciação Global: um bom vinho, claramente acima da média

Nota: 16,5

por António Maçanita

Este blogue depende dos seus leitores

Caros leitores,

O propósito deste blogue exige a participação dos seus leitores. De todo o Portugal, gostávamos de receber propostas por correio electrónico. A blogosfera, que tem a central virtude de nos aproximar, é um fantástico veículo para conhecermos melhor o nosso país, e em concreto, a cultura gastronómica e onde se come bem em Portugal. Qualquer restaurante, seja em que ponto do país for, é uma boa sugestão.
Para tanto, gostariamos de contactar com a vossa participação por correio electrónio e/ou comentários aos textos. Em relação às sugestões de vinhos de António Maçanita, pelo mesmo meio podem ser dirigidas mensagens, que ser-lhe-ão entregues e às quais dará resposta.

segunda-feira, janeiro 17, 2005

Razão de ser

Este blogue inicia aqui um processo de fórum alargado sobre vinhos e restaurantes. Parceiro do Lóbi do Chá, blogue onde escrevo, serve este espaço para conversarmos sobre vinhos à mesa. Vamos falar sobre restaurantes, mas essencialmente sobre vinhos, onde contamos com a participação de um excelente enólogo que vos espero apresentar ainda esta semana, logo com uma sugestão de vinho.
Fica como ideia inauguradora deste blogue, aquela tese de que primeiro devemos escolher o vinho e só depois, o prato que vamos comer. Por razões geográficas, os nossos conselhos terão como quartel-general Lisboa. Porém, o enólogo de serviço irá trazer notícias do Alentejo, e nós, nas nossas viagens, iremos contar tudo.