quarta-feira, Abril 05, 2006

Administração interna e as Leveduras.

Acha o sr. secretário de estado da administração interna que a culpa da elevada sinistralidade rodoviária é dos senhores do sector vitivinícola que nada fazem para a reduzir! É sem dúvida uma conclusão que demonstra a elevada competência e perspicácia dos nossos governantes... Há pessoas iluminadas!!! No fundo, pela mesma lógica de ideias e antecipando as próximas conclusões da administração interna e porque hoje me sinto "iluminado", a culpa do facto dos Portugueses "darem cabo" da vida em acidentes rodoviários, não é pela falta de civismo instalada na sociedade, não! A culpa é das LEVEDURAS que como sabemos transformam o açucar dos mostos de uva em álcool. Esses seres invisíveis dão-nos cabo da vida! Como poderá o Homem sobreviver a este tipo de microorganismo que silenciosamente leva a vida e o dinheiro de milhares de pessoas todos os anos em Portugal. Por este andar, em breve se formará um gabinete sobre a alçada da administração interna liderado pelos melhores enólogos do país para de uma vez por todas controlar essa bicharada que há milhões de anos fermentam os açucares das frutas deste mundo...

Vão a www.publico.pt e votem contra a facilitismo no barómetro do jornal O Publico .

quarta-feira, Março 01, 2006

Inside information - Grandes pingas

Neste blogue não sou eu o especialista de vinhos. De resto, olhando para as quatro pessoas que fazem este blogue, sou provavelmente o mais inculto no que aos vinhos diz respeito. Os que mais percebem são, evidentemente, os dois enólogos profissionalíssimos que aqui escrevem (mas deviam escrever mais).

No entanto, faço duas sugestões: Sexy e Fita Preta

:)

quinta-feira, Dezembro 01, 2005

Quinta de Baixo Reserva 2001

Produtor: Quinta de Baixo
Região: Bairrada
Castas: Baga

Aspecto: Cor rubi com ligeiros granada.
Aroma: Resinoso, ervas secas, algumas notas químicas.
Paladar: Equilibrado, boa acidez, um pouco seco.

Apreciação Global: É um típico bairrada, mas nota-se que foi bem trabalhado, pois não lhe faltou uvas maduras.
Nota: 13,5

quinta-feira, Novembro 24, 2005

E a copo?!

A malta não gosta mesmo de trabalhar! O desenrasque do tuga serve para muita coisa e dá um orgulho do caraças... Pena é que a malta só tá virada para o desenrasque quando se vê apertada! Mais interessante é que quem se desenrasca melhor são sempre os gajos que estão fora do país. Será que lá fora a malta anda sempre apertada ou um gajo tem mesmo de se esforçar para ser melhor? Esta malta lamenta-se que não vende, lamenta-se porque é caro, ou porque o tuga gosta é da bela da cervejinha. Se calhar é porque esta é baratucha, não? Se quem se anda a sentir apertado pensar que está fora do país, se calhar consegue perceber que vinho a copo é um filão (e pode ser tão barato como a cervejinha). Prova disso é que basta irmos a um destes países que não está no cu da europa para perceber que qualquer "tapas" ou "ristorante", por mais ranhoso que seja, tem sempre 2 ou 3 vinhos a copo. Será que foram os nosso emigras que lá chegaram e se desenrascaram ou quem quer vencer sabe que tem de arranhar... A revista de vinhos, que é até bastante tradicionalista, afirma que "o futuro é o vinho a copo". E esta em!?

segunda-feira, Novembro 21, 2005

É só andar atento!

Mais um encontro! Mais uma vez na FIL estiveram os produtores de vinho portugueses numa feira "completamente" dedicada à apresentação das novidade ao publico em geral. Claro está que restauradores e escanções aproveitam também para ver e serem vistos... Mais uma vez a Revista de Vinhos consegue com sucesso juntar produtores e consumidores e contribuir para manter o vinho na moda! O problema está no clima negativo que se sente na grande parte dos produtores e garrafeiras que sabem que a conjuntura não está a ajudar nada as vendas. Da parte dos consumidores vivem-se tempos aúreos pois há no mercado cada vez mais vinhos de boa qualidade a preços "bombásticos"... É só andar um pouco atento! Só falta agora que a restauração entenda que não se ganha tudo numa garrafa de vinho... o que vale é que já começam a aparecer as excepções, ie, restauradores que sabem que se o vinho não for tão caro, mais pessoas bebem e por sua vez... Acho que não é preciso explicar tudo! Um aviso, as pessoas não são completamente estupidas e andam cada vez mais alerta para o verdadeiro preço dos vinhos. Não acordem tarde demais!

terça-feira, Novembro 08, 2005

Paço da Serviçaria 2003

Produtor: Encostas do Douro
Região: Douro
Castas: Touriga Nacional, Touriga Franca, Tinta Roriz e Tinta Barroca

Aspecto: Cor rubi ligeira.
Aroma: Frutos vermelhos maduros, marmelo, algum fumado e especiarias.
Paladar: Bem redondo, aparece o sabor a marmelo e as especiarias.

Apreciação Global: Úm vinho muito bem trabalhado, sem arestas e alguma doçura a arredondar.
Nota: 14,5

sábado, Novembro 05, 2005

Para os mais distraídos, não esquecer que durante este fim de semana vai estar na FIL da Junqueira mais uma edição do Encontro com o Vinho. Vale a pena pois dá sempre para provar muitas referências à "borla"!

De Volta!

Mais uma vindima! Por fim, começam-se a arrumar os vinhos e as fermentações malo-lácticas já vão avançadas. A história repete-se, mais uma vindima diferente! Uma vindima que se achava que poderia trazer dissabores, trouxe vinhos que, ao que tudo indica, virão a ser de qualidade acima da média. A pouca chuva de meados de Setembro compensou mais uma vez quem quis arriscar e não se conformou com uvas pouco e mal amadurecidas. Nos tintos, cores brutais que saíam nas primeiras horas de maceração e nos brancos da região dos verdes, graduações e aromas que surpreendem até os mais antigos... De qualquer forma ainda é cedo para concluir sobre a qualidade da vindima, mas é sem dúvida mais uma vindima com quantidades razoáveis e na maioria das regiões do país de boa qualidade.

terça-feira, Setembro 06, 2005

Chão Rijo Branco 2003

Produtor: Adega Regional de Colares, C.R.L.
Região: Regional Estremadura.
Castas: Malvasia, Galego Dourado e Jampal.

Aspecto: Cor palha com alguns dourados.
Aroma: Nota já alguma evolução, os aromas melados dominam, algum feno.
Paladar: É leve, a evolução está a marcar, termina amargo e ácido.

Apreciação Global: É sempre interessante provar um vinho de uma das persistentes micro-regiões do mundo, este chão rijo é tido como um vinho menor dentro desta região pois em Colares o que se situa fora das areias é sempre menos bom, ou assim considerado.
Nota: 13
As boas sugestões são sempre bem vindas! As castas, sempre que possível, farão parte das minhas notas de prova.

quarta-feira, Agosto 31, 2005

Charamba 2001

Produtor: Aveleda Soc. Agrícola e Comercial, S.A.
Região: Douro

Aspecto: Cor rubi com alguns castanhos.
Aroma: Intenso, alguns fenóis a marcar e um ligeiro sujo por trás, algumas notas de figo e ervas secas.
Paladar: Bem redondo e sabe ao que cheira, termina um pouco ácido e seco.

Apreciação Global: É um vinho que já não tem por onde fugir, por isso beba-se.
Nota: 13

segunda-feira, Agosto 29, 2005

Foral 2000

Produtor: Caves Aliança, S.A.
Região: Douro

Aspecto: Cor rubi jovem para um 2000.
Aroma: Terciários no ataque, com algum tabaco e noz moscada, nota também alguns fenóis, mas no ponto.
Paladar: Já está bem redondo, com a madeira bem casada e os sabores de evolução de garrafa a marcar, tudo bem equilibrado.

Apreciação Global: Está um vinho pronto a beber, com aromas de "bouquet" que o tornam interessante.
Nota: 15

quinta-feira, Agosto 25, 2005

Duque de Viseu 2001

Produtor: Sogrape Vinhos, S.A.
Região: Dão

Aspecto: Cor rubi com alguns castanhos.
Aroma: Vinoso, alguma ginja e resina.
Paladar: É leve, os taninos estão já limados e tem uma acidez que transmite frescura.

Apreciação Global: É um vinho que está a evoluir bem, sendo 2001 não o transparece. É um classico do Dão bem limado e de fácil prova.
Nota: 15

quarta-feira, Agosto 24, 2005

Cistus 2003

Produtor: Qt. do Vale da Perdiz Soc. Agrícola, Lda.
Região: Douro

Aspecto: Cor rubi viva.
Aroma: Ervas secas, esteva, ligeiramente resinoso e frutos vermelhos.
Paladar: No ataque está a madeira e a fruta surge no final, bem integrada.

Apreciação Global: É um vinho com boa fruta de estilo ligeiro.
Nota: 14

terça-feira, Agosto 23, 2005

Vila Régia 2002

Produtor: Sogrape Vinhos, S.A.
Região: Douro

Aspecto: Cor rubi ligeira.
Aroma: Um pouco desiquilibrado, onde o alcool marca, nota alguma fruta mas ligeira.
Paladar: Está bem trabalhado, é redondo e termina doce..

Apreciação Global: É um vinho de combate, fácil, para todos os dias.
Nota: 13

segunda-feira, Agosto 22, 2005

À Portuguesa!

Já começou a vindima! Não em todo o país, mas o Ribatejo e o Alentejo já estão a colher. Um fenómeno interessante que acontece sempre nesta altura é que maior parte das adegas que estão a sofrer uma restruturação ou são novas, estão ainda sem cubas, ou o grupo de frio que só vai chegar amanhã, ou então o chão que só foi pintado ontem, ou tudo junto... uma série de acontecimentos que, bem a portuguesa, marcam logo a vindima. Este stress já é habitual para quem anda nestas lides! Será que os outros 11 meses do ano não chegam para restruturar/construir o que quer que seja. Ainda por cima o mês escolhido é aquele em que o País pára!! Parece-me que estamos perante um contrasenso, não? De qualquer forma o que interessa é que as uvas entrem... como são as condições, logo se vê! Porque as uvas não esperam nem os lavradores/viticultores. Para quem está a presenciar tais factos, confiança malta, pois o vinho vai-se fazer na mesma e quando não é como se quer, é como se pode... Boa vindima!

domingo, Agosto 21, 2005

Lavradores de Feitoria 2003

Produtor: Lavradores de Feitoria, Vinhos de Quinta, S.A.
Região: Douro

Aspecto: Cor rubi viva.
Aroma: Em primeiro aparece a madeira e notas tostadas, a fruta é muito ligeira e predomina a esteva.
Paladar: É leve, tem alguma fruta na boca e termina curto.

Apreciação Global: É um Douro bem feito, sem defeitos e poucas virtudes.
Nota: 14

terça-feira, Agosto 16, 2005

Vinho: Quinta da Lagoalva Castelão & Touriga 2002
Produtor: Soc. Agrícola Quinta da Lagoalva de Cima, S.A.
Região: Regional Ribatejo

Aspecto: Cor rubi média.
Aroma: Vinoso, com cereja e um pouco de erva seca e resina.
Paladar: Vem a fruta na frente é ligeiro, macio e termina um pouco duro.

Apreciação Global: É um vinho simples, bem feito e com poucas arestas.
Nota: 14

terça-feira, Agosto 09, 2005

Vinho: Casal da Coelheira 2003 - Silver I.W.Challenge
Produtor: Quinta do Casal da Coelheira
Região: Ribatejo

Aspecto: Cor rubi ligeira.
Aroma: Exuberante, cheio de fruta, notas de especiarias, couro e algum coco com a madeira muito bem integrada. O cabernet sobressai.
Paladar: Ataque aveludado, mas com sabores verdes que desiquilibram com a fruta do nariz, termina um pouco duro e ligeiro.

Apreciação Global: É pena a boca não estar em equilibrio com o nariz, o vinho promete quando cheiramos, mas depois desilude. De qualquer forma é um bom ribatejo a contrariar a fama da região. É um "best buy".
Nota: 15
Preço: 3,50€ "off trade"

segunda-feira, Agosto 08, 2005

Vinho: João Pires Tinto 2004
Produtor: José Maria da Fonseca, S.A.
Região: Terras do Sado

Aspecto: Cor rubi leve e jovem.
Aroma: Frutinha fresca, cereja e um ligeiro tostado à mistura com aromas verdes.
Paladar: Frutos vermelhos e alguma tosta e termina curto sem qualquer aresta.

Apreciação Global: Este tinto que nos dizem para beber fresco, prima pela juventude do vinho e melhora nesta época do ano.
Nota: 13,5

Pura Ignorância?!

Aproxima-se mais uma vindima fora do normal, pelo menos é o que dizem! A chuva que não caiu durante o ano está a complicar as zonas mais quentes e claro mais ainda as zonas do país onde ainda não é permitida a rega... vá-se lá saber porquê??? Ou a memória é curta ou então eu, com as poucas vindimas que tenho, sou um azarado ou um sortudo, ainda não sei bem, porque ainda não me passou nas mãos a vindima definida como normal (a não ser quando estive fora de Portugal)!!! Mas, o que será uma vindima normal? Uma vindima com podre nos verde, chuva em Setembro no Dão e paragens de maturação no Douro e Alentejo... Será isto? Nós somos realmente chorões! Nunca é aquilo que queremos, mas não será que o melhor que a natureza tem é a incerteza do que vem (até rima)! Parece é que queremos sempre aquilo que não temos e isso a meu ver é causa de não sabermos o que queremos! Há mais de 100 anos atrás Cincinato da Costa definiu e descreveu castas e regiões do país e mesmo assim há ainda hoje um completo desconhecimento das pessoas do cluster que provoca o que se pode definir como me diziam o outro dia o "achismo", ie, há sempre alguém que acha qualquer coisa! Esta normal ignorância, pois aquilo a que nos habituamos passa a ser normal, provoca alarmismo, histeria e claro falta de objectividade... Organizem-se!!

quarta-feira, Agosto 03, 2005

Vinho: Vinha da Palestra 2003
Produtor: Encostas do Douro Soc. Agrícola, S.A.
Região: Douro

Aspecto: Cor rubi fechada.
Aroma: bastante fruta, com baunilha muito presente e ameixa madura.
Paladar: redondo e aveludado, com algum corpo e fica no final sabores doces e tostados.

Apreciação Global: É um vinho pronto a beber, bastante internacional e completo. É sem dúvida um "best buy"
Nota: 15,5
Preço: 2,5€ "off trade"

terça-feira, Agosto 02, 2005

Já é hábito!

Mais uma!! Como se não bastasse, a cortiça está de novo fora da nossas mãos. Não, ainda continuamos os maiores produtores do mundo, a questão é outra, mais uma vez as alternativas da fuga ao TCA está fora da nossa alçada. Pois é, uma empresa australiana está na frente do controlo sobre os aromas a mofo transmitidos aos vinhos, que são naturalmente atribuídos às rolhas. Está empresa a ProCork (com alguma colaboração da CTCOR) desenvolveu uma membrana que regula as trocas de água, oxigénio, sabores e aromas a mofo transmitidos pelas rolhas. Esta membrana colocada na rolha, permite ainda que a evolução própria de um vinho vedado com rolha de cortiça se mantenha. Mais, melhora a variação que pode haver devido a evoluções oxidativas. No fundo, o paraíso dos vinhos... ora, se finalmente se consegue juntar o melhor vedante natural, a rolha de cortiça, sem que os factores negativos desta se possam pronunciar, estamos no EDEN... Pode ser que para nós os Tugas esta seja uma das salvações para um sector que tem passado as passas do Algarve. É pena não estarmos nós na frente destas inovações. Mas, isso já é hábito e tardam a chegar as excepções...

segunda-feira, Agosto 01, 2005

Vinho: Alandra
Produtor: Finagra, S.A.
Região: Vinho de Mesa

Aspecto: Cor rubi viva ligeiramente aberta.
Aroma: Alguns aromas de oxidação (etanal) e frutos vermelhos.
Paladar: Ligeiro, mas com alguma estrutura e fruta no final.

Apreciação Global: É um vinho em tudo simples.
Nota: 12,5

quinta-feira, Julho 28, 2005

Vinho: Marquês de Marialva Baga 2003 - Selecção Cinquentenário
Produtor: Adega Cooperativa de Cantanhede, CRL
Região: Bairrada

Aspecto: Cor rubi fechada.
Aroma: Resinoso, alcatrão, "cassis", ameixa madura e madeira a suportar.
Paladar: Redondo com taninos doces e cheio de fruta com acidez para aguentar tudo isto.

Apreciação Global: É um bom bairrada, que foge aos preconceitos dos vinhos desta região, sem qualquer dureza e uma acidez bem equilibrada.
Nota: 16,5

quarta-feira, Julho 27, 2005

Vinho: Rosé da Peceguina 2004
Produtor: Herdade da Malhadinha Nova
Região: Alentejo

Aspecto: Cor rosada carregada.
Aroma: Bastante fruta vermelha bem madura, cereja, morango, tudo muito limpo.
Paladar: No ataque está a fruta, seguida de alguma doçura e uma acidez pouco presente.

Apreciação Global: Um rosé madurão, talvez lhe falte um pouco de frescura na boca, ou então beba-se bem gelado.
Nota: 15

terça-feira, Julho 26, 2005

Tourigação!?

Há uns números atrás, veio na revista de vinhos uma prova de Tourigas Nacionais de todo o País. Na mesma revista o editorial falava precisamente do fenómeno da Tourigação que está eminente em Portugal. Pois é, o sucesso desta casta já provocou pelo menos uma coisa, os vinhos vencedores dessa prova foram 3 tourigas alentejanas. Quem imaginaria há uns tempos que tourigas alentejanas passariam a ocupar lugares cimeiros em provas assim? Afinal o tourigo é Beirão! O único receio que isto pode trazer e que já comentaram comigo é a descaracterização dos vinhos alentejanos. Mas, aí coloca-se outra questão: Qual é o estilo alentejano? Se for vinhos quentes e macios, a touriga pode-se enquadrar bem, uma vez que a considerada casta mais nobre, facilmente chega a estes requesitos. A questão que devemos colocar e que ainda pouco se fala, é "Terá esta casta força suficiente para se aguentar sozinha num vinho de guarda?" ou uma touriga precisa de um "Backbone" para não cair desamparada ao fim de 3-4 anos. O que tenho apanhado por essas Tourigas mais velhinhas (4, 5 e 6 anos), tem sido vinhos que já estão na fase de queda livre sem qualquer pára-quedas. Aquela exuberância que apaixona quando as tourigas nascem e que perdura por 3-4 anos será suficiente para tornar a Touriga o próximo Syrah ou Malbec nos vinhos do mundo... esperemos!!
Vinho: Quinta da Urze Touriga Nacional 2001
Produtor: Casa Agrícola Roboredo Madeira
Região: Douro

Aspecto: Cor ruby fechada
Aroma: Notas ligeiras de violetas, com coco, ervas secas e figo à mistura com algum álcool a mais e café.
Paladar: Boa entrada bem redondo, com o figo a dominar, taninos suaves mas queima um pouco no final.

Apreciação Global: Os aromas primários da casta já eram, o vinho parece ter emagrecido um pouco e o álcool está a marcar. É um vinho bem redondo e está optimo para acompanhar pratos de carnes vermelhas bem codimentadas.
Nota: 15,5

domingo, Julho 24, 2005

Wine Services

Hoje, ao passar os olhos pela Wine "Speculator", saltou-me à vista um anúncio da Penfolds. Parei para ler o que estavam à anunciar pois o vinho que aparece nesse anuncio é somente considerado o melhor vinho da Penfolds e um dos melhores e mais caros vinhos Australianos. A garrafa do Grange, estava ali para chamar a atenção de alguns consumidores americanos que podem abrir as suas garrafas de Grange (de uma colheita com um mínimo obrigatório de 15 anos) para simplesmente saber se o vinho no interior continua em boas condições, ou quem não as quiser abrir, verificar se a rolha se mantém em boas condições, tendo a possibilidade de a substituir se for caso disso. Como dava a perceber o anúncio, "é à vontade do freguês" e mais, quem as quiser provar, terá simplesmente a companhia do "Chief Winemaker" da Penfolds! Isto sim, é serviço pós-venda...

quinta-feira, Julho 21, 2005

Vinho: Tignanello 2000
Produtor: Antinori
Região: Toscana

Aspecto: Cor bastante fechada.
Aroma: Fechado no inicio, com aromas de "bouquet" ligeiras notas balsamicas e de madeira.
Paladar: Cheio, redondo e potente, sabores doces de fruta bem madura com integração perfeita com a madeira e um final que não acaba.

Apreciação Global: É sem dúvida um "Super-Tuscan", é um vinho com um volume brutal que aguenta mais uns bons anos, e que está também ideal para beber.
Nota: 19

quarta-feira, Julho 20, 2005

Verde ou Amarelo?

Devem ter sem dúvida notado que nestas últimas semanas as ruas andam carregadas de Vinho Verde. Os outdors estão repletos de publicidade a vinho verde, não só de vinhos de marcas privadas, mas também uma forte campanha da Comissão Vitivinícola da Região! Pois é com tudo isto , parece que o verde é fresco... logo está na altura de atacar estes refrescantes vinhos e deixar os brancos mais quentes para as noites mais frias de outras épocas do ano! Pois, é essencial saber ligar os momentos aos vinhos e embora não parem os fogos, a altura é de VERDES!!

Copo de 3

É sem dúvida de assinalar que existem realmente apreciadores de vinho! Prova disso é o http://copod3.blogspot.com/ que mostra que há pessoas que bebem aquilo que nós produzimos. Bem hajam os consumidores!!!

segunda-feira, Julho 18, 2005

Não Há Desculpa!

Cá estamos de novo! Embora pareça que fui de férias, pois há um mesinho que nada escrevo, infelizmente não foi o caso. Foi um acumular de situações! 1º a Vinexpo 2005, a presença na maior feira de vinhos do mundo foi inevitável... e depois, causa nobre, o nascimento do meu 1º filho, o qual quis acompanhar ao pormenor, como devem imaginar!! Bom mas isto só dá desculpa para 2 semanas... bom as outras... não há nada a dizer.

Mas, não queria deixar passar em branco o facto de que nas lojas Lidl está a decorrer, com o pretexto do aniversário dos 10 anos em Portugal, uma promoção nos vinhos que eles comercializam. Estas lojas começam a fazer "estragos" à concorrência! Neste momento nem a crise é desculpa para quem gosta de beber vinho, pois podem-se encontrar lá vinhos de bastantes regiões, não só de Portugal e a preços na casa dos 2€, e alguns que já provei, não ficam atrás de muitos que podemos comprar a cerca de 5€. Vá toca a beber, mas com moderação...

segunda-feira, Junho 13, 2005

Douro às "cegas"

À uns dias participei numa prova cega para a eleição de um vinho branco e outro tinto ambos da Região do Douro para serem servidos num jantar. Estavam à prova 32 vinhos, 22 tintos e 10 brancos. Pela importância do evento onde os dois vinhos escolhidos iriam ser sevidos, estava à espera de provar a “nata” do Douro. No que respeita aos brancos que lá estavam, eram concerteza dos melhores brancos da Região, já os tintos deixaram-me um pouco desiludido.

Naqueles 22 tintos, apanhei um pouco de tudo, vinhos oxidados (etanal por todo lado), parece que alguém se tinha esquecido da cuba aberta, vinhos com o cavalo (4-etil-fenol) pouco cansado, outros com o cavalo já a desfazer-se e ainda alguns envernizados (acetato de etilo). Contudo não deixaram de aparecer aqueles Douros, quentes e com profundidade, bem maduros e com uma madeira brutal. No fundo o bom e mau do Douro num só “flight”.

Já nos brancos a história foi outra, os brancos eram todos bem expressivos, alguns a recorrer ao toque “terpénico” dos Moscateis, que para mim, embora comercialmente interessante tira um pouco o valor à excelência dos grandes brancos. Também passei por brancos com madeira a cobrir a fruta e não a transportá-la. O mais interessante de notar é que andamos todos à volta dos tintos e cada vez a plantar menos brancos, e já não é a primeira vez que como nesta prova são os brancos que se destacam.

Será que o Douro só tem de viver de tintos ou serão também os brancos capazes de o elevar. Será somente a Touriga Nacional nobre ou no Douro o Gouveio e o Viosinho também lá podem chegar. Vou gostar de ver...
Vinho: Quinta do Vale Meão 2000

Produtor: Francisco Olozábal & Filhos lda.

Região: Douro Superior – Foz Côa

Aspecto: Cor ruby intensa

Aroma: Intenso, nota-se bem madeira, frescura do cravinho e aromas fumados ligeiros, a fruta bem madura está sempre presente, ameixa preta e bastante cacau.

Paladar: Redondo, a fruta e o cacau por todo o lado, é intenso, o cravinho dá-lhe uma boa frescura, boa madeira, para o lado verde mas a casra muito bem com o vinho, no final queima um pouco mas o sabor é bem persistente.

Apreciação Global: É um grande Douro, mostra bem o Douro Superior, é bem quente mas não mostra sobre maturação, a madeira está muito bem trabalhada, os 14,5 só se notam no final.

Nota: 18,5

terça-feira, Junho 07, 2005

Vinho: 4 Caminhos Reserva 99

Região: Alentejo - Vidigueira

Aspecto: Cor ruby já a perder muito nas pontas;

Aroma: Intenso, chocolate com ginga, ainda com notas de caixa de cigarro;

Boca: Bom ataque e bom volume de meio de prova, alcool desintegardo, taninos bem maduros mas quase inexistentes.

Apreciação Global: Um vinho complexo no está no seu máximo de tempo de guarda, a beber já.

Nota: 16,2

Sugestão Gastronómica: Carne de Porco Estufada com castanhas, irónicamente uma receita do Douro.

Mondovino?

Faz agora uma semana que fui ver o tão falado filme/documentário, Mondovino. Passada uma semana ainda não parei de rir da imagem caricatural do famoso enólogo consultor Michel Rolland, bruto como não existe (a resolver tudo com microx.) e sempre a rir. Ainda não parei de sorrir dos pequenos produtores do “velho mundo”, os fortes opositores da globalização do vinho, de personalidade marcada, com raízes muito fortes na região e já com idade e historial para dizerem o que lhes apetece sobre os Mondavi, os Robert Parkers e os Michel Rollands.

O filme é no entanto super tendencioso, quase “endiabolizando” todos os motores da globalização do vinho participantes no documentário, os Rothschild, o Michel Rolland e clientes, os Mondavi, ao serem comparados com pequenas empresas familiares, amantes da arte do vinho e do negocio familiar e deixando ainda no ar a ligações dúbias de Robert Parker, o mais conceituado crítico de vinhos do mundo, com a industria Californiana de Vinhos e com Michel Rolland.

Não me parece justo comparar os “monstros económicos” mobilizadores da Globalização, com pequenos produtores familiares, porque a escolha recairá sempre sobre o mais fraco, mas poético e menos institucionalizado. Quando também nós “Velho Mundo” temos esses monstros bem menos bonitos. Porque é que não comparam os Mondavi com a Adega Cooperativa da Merceana (sem demérito para esta) para ver de quem gostam mais.

É importante também frisar que qualquer uma das empresas “monstro” citadas, faz dos melhores vinhos do mundo, e quando adquire uma propriedade é para fazer excelência. Quem é que já bebeu um “Opus One” e disse que não gostava, ok dá uns coices de “velho mundo”, mas delicioso. Quem é que provou um “Mouton Rothschild” e não gostou, pode se criticar por ser demasiado madeirizado, apetecível de mais e por não dar coices, como os austeros Bordéus, mas também delicioso.

Numa indústria com tanto “marteleiro”, tanta falta de exigência na qualidade de alguns produtores, deixar um tom de crítica a quem trabalha bem, a quem faz bons vinhos, a quem promove bem os vinhos e vende bem os vinhos parece-me pura demagogia.

Por isso caros Mondavis, Rothschilds, Rollands, Parkers sejam bem vindos a Portugal para produzir bom vinho, dar novos conselhos, comentários e promover a nossas regiões.

Quase a finalizar… Meu caro Jonathan Nossiter, para um filme com um nome tão pretensioso como Mondovino, existem apenas 5 países documentados em 2h15m de filme. Felizmente para todos nós existem mais países produtores de vinho no “velho mundo” do que a França e a Itália e infelizmente países bem mais ameaçadores do “Novo Mundo” do que os USA. Talvez o filme se devesse chamar “Os países que eu escolhi para fazer passar a minha ideia-VINO” ?


Em tom de conclusão… Vão ver que mesmo assim vale muito a pena, vale mesmo.

domingo, Junho 05, 2005

E porque está na ordem do dia...


Sobreiros BES Posted by Hello

IWC e a ROLHA

O link abaixo leva-vos mais uma vez até ao IWC vs ROLHA. Um dos nossos enólogos, Miguel M. Chaves, leva pelas mãos da APCOR a notícia que o António já relatou até ao Diário Económico, .

Link: carregue aqui!

segunda-feira, Maio 30, 2005

Para não ficarem com a ideia que só o mac é que prova as "bombas", cá vai uma boa proposta para procurarem na vossa garrafeira!

Vinho: Marquês de Borba Reserva 2000

Produtor: João Portugal Ramos

Região: Alentejo - Estremoz

Aspecto: Cor ruby intensa

Aroma: Couro no ataque, ameixa madura, pimento e pimenta verde por trás, termina com chocolate e um toque de café

Paladar: Muito macio na entrada, com volume e intensidade, tem uma acidez picante e no retronasal aparece o couro, é longo e vinoso, nota-se os 14% de alcoól, fica no final figo seco e noz.

Apreciação Global: É um vinho poderoso, é muito complexo no aroma. É equilibrado, notando-se um pouco no final o alcoól. É um vinho com várias dimensões e muito internacional.

Nota: 17,8

terça-feira, Maio 24, 2005

Simples e refrescante…

Ontem fui ao cinema e durante aqueles minutos antes das apresentações dos filmes, existem sempre alguns anúncios, um deles é aquele do perfume Aqua di Gió (que agora até nem tem aparecido), penso que muitos devem reconhecer. Pois é, ontem um dos anúncios, (no qual quem o encomendou deve ter gasto umas “massas” na campanha pelo menos pela duração que tem), começava com 1 miúda e 2 gajos a saltarem para a água. Depois, mostra uma série de situações de férias, algumas com chuva, mas sempre malta nova na “galhofa”! Pelo meio vai aparecendo uma garrafa, da qual só mostram o gargalo com a cápsula. Durante o anúncio comecei a pensar que podia ser um anúncio de um vinho, mas a demorar tanto, pensei, não pode ser! A verdade é que é mesmo um anúncio a um vinho e da Região Demarcada dos Vinhos Verdes. Não, não é Casal Garcia, que se bebe com a Maria! Mas é sem dúvida um forte concorrente para beber com uma Lela… (Lela só porque rima com…).

O vinho anunciado está inserido num tipo de vinho que é normal NÃO vermos à mesa, a não ser, durante as férias de Verão (no Algarve, por exemplo) ao passar junto a uma mesa de “Bifes”. É também muito apreciado por estes nossos turistas outro tipo de vinho que é normal NÃO vermos à mesa, como um Mateus Rose ou um Lancers. A questão que se coloca é: Porque é que os “Bifes” gostam, sendo eles os que vêm dos países frios??? Talvez pela mania do “Tuga” querer sempre ser aquilo que não é. Ou será puro preconceito? Para mim, são estes vinhos, como mostra o anúncio, que propiciam momentos descontraídos e de relaxe nestes fins de tarde que a Primavera já nos tem dado este ano. Talvez as pessoas não saibam é adequar cada vinho a uma situação ou então não estão para relaxar.

Bom, mas é de vinhos que quero escrever! Este tipo de vinhos são um fenómeno, vendem aos milhões e têm durante um curto período de tempo uma frescura e uma simplicidade difícil de ter noutros vinhos.
O que está na moda é ter de dizer “obrigatoriamente” qualquer coisa sobre o vinho que está à mesa. Sendo a Indústria cervejeira também tão antiga e cheia de história, porque é que quando estamos a beber uma imperial não dissertamos um pouco sobre a sua bolha e o aroma. Será a cerveja menos nobre? O bom que estes vinhos têm é precisamente o contrário do que estamos habituados a procurar num vinho, a simplicidade de uma bebida refrescante. Como acontece com as rolhas este é o nosso património, temos o dever de o proteger e estou convicto que não é preciso esforço para isso!
Vinho: Gazela (s/ data de colheita)

Região: Vinhos Verdes

Produtor: Sogrape

Aspecto: Cor citrina muito leve com ligeiro desprendimento de gás.

Aroma: Fresco e citrino com notas doces, que fazem lembrar a casta loureiro, e de fruta verde.

Paladar: Acidez bem equilibrada com a doçura, leve com agulha que aumenta a sensação de frescura.

Apreciação Global: É um vinho simples e tecnológico, sem arestas que, de certeza, “Sabe bem com a vida”.

Nota: 14

quinta-feira, Maio 19, 2005

Vinho: Monte da Penha, Reserva, 2001

Região: Alentejo, Portalegre

Produtor: Francisco Fino

Cor: Cor rubi, quase concentrado , já com tons de envelhecimento;

Nariz: Intenso, caixa de cigarros fundida com frutos vermelhos;

Boca: Super ataque e bom volume. Boa imtesidade de aroma na retronasal, taninos a aparecerem no fim de prova bem redondos, seguidos de amargor talvez excessivo.

Apreciação Global: Um vinho com muita classe e sobretudo muito equilíbrio;

Nota: 17,5

Rolhas, Portugal e afins...

... Faz agora uma semana que eu e outros enólogos portugueses estivemos como júris no International Wine Chalenge, em Londres. Apesar de ter provado "grandes bombas", ter tido bons momentos e também "pegas" de prova com provadores de todo o mundo, há uma situação que não me sai da cabeça. Um deste enólogos portugueses estava numa mesa de prova onde apareceu um vinho "rolhado", expressão utilizada frequentemente de forma ligeira para descrever o aroma dos cloroanisois (TCA, TeCA e PCA), no qual ele, muito bem, utilizou um termo técnico bem mais apropriado, advocando que cheirava a TCA (o cloroanisol de maior relevo). Os restantes provadores utizaram a expressão "it's corked", tendo a infelicidade do vinho apresentar um gargalo para cápsula de metal, sendo portanto impossível que a origem do aroma fosse a rolha. O nosso caro enólogo tuga fez questão de "gozar o prato" e de lhes demonstrar o evidente, seguido-se um pequeno sermão sobre a leviendade com que se utiliza o termo "rolhado" e que os termos TCA ou mofo serão, talvez, mais adequados.

Porquê toda esta defesa do "bom nome" da rolha?


Portugal possui cerca de 33% dos montados de sobreiro do Mundo e produz 52% da cortiça mundial seguido pela Espanha com 23% e 32%, respectivamente. Logo, qualquer ataque à rolha é um ataque frontal à indústria corticeira portuguesa e por acréscimo a Portugal.
É um facto que existem problemas de contaminação de vinhos por rolhas que têm TCA. O número apurado ronda os 2 a 5%, segundo várias fontes. No entanto, produtores como a Amorim (o maior produtor de rolhas a nível mundial) afirmam que nos testes internos o valor de rolhas contaminadas ronda os 0,45%.

É também um facto que existem outras fontes de TCA no processo de produção. As barricas podem ser uma grande fonte de TCA se não existir o cuidado de não utilizar detergentes clorados. Todas as madeiras da adega, cinchos de prensas, telhados em madeira, podem ser fonte de contaminação. Deste modo, é possível que muitos dos vinhos com TCA não encontrem a sua origem na rolha.

A presença deste aroma a mofo criou o pretexto para o aparecimento de vedantes alternativos que garantem inoquidade: os vedantes plásticos (polymer stoppers), as cápsulas metálicas (srew caps) e também o vedante em vidro, este último com pequena incidência.

Os vedantes plásticos foram tão rapidamente abraçados como abandonados por alguns países do novo mundo vitícola, tal como a Austrália. Este país acabou por adoptar, baseado em estudo científicos, a cápsula metálica para tintos jovens, brancos e rosés; e a rolha técnica ou a rolha para os restantes.

No entanto, o consumo dos polymer stoppers é crescente na velha Europa.

Quanto a mim, sou mais fã das rolhas. Quer por ser português(ok, é uma razão um pouco facciosa), quer por achar que o produto "vinho" vende mais do que apenas o líquido; vende também o acumular de tradições e de costumes. Já o afamado D. Perignon usava a rolha de cortiça e ainda não existia o dito "novo mundo" e todos os seus países. A rolha, além de ser um produto natural, acompanha o conceito de vinho engarrafado desde sempre e tenho pouca vontade de o beber quer com cápsulas, polímeros, ou - não tarda nada - dentro de uma lata.

Resumindo e concluindo: espero que as rolhas se mantenham para quando estiver sentado à lareira com a namorada, mulher ou amigos, e chegar o alegre momento de beber um Douro (como quem diz outro qualquer), onde o som de abertura seja um tradicional "pop" em vez de um esfregulhar metálico "acocacolado" de uma cápsula.

PS. Não posso deixar de dar os parabéns à Herdade da Malhadinha pelo seu Ouro e Red Portuguese Trophy, no vinho Malhadinha, no seu primeiro ano de produção.

segunda-feira, Maio 16, 2005

"Os magníficos Borgonha"

Nestas últimas semanas esteve nos “mupis” do País uma campanha a um vinho da Região do Dão e outro do Alentejo. Tanto uma como outra, são já duas marcas bem conhecidas dos enófilos. O vinho publicitado do Dão, um colheita seleccionada, é já um dos vinhos desta região que em poucos anos atingiu o patamar de referência na gama de vinhos dos €3. Sobre a Região Demarcada do Dão, em 1900, Cincinato da Costa no Portugal Vínicola, escrevia que esta região, uma das preveligiadas do Reino, era capaz da produção de vinhos magníficos, capitosos e aromáticos de longa e segura conservação, semelhantes aos bons da Borgonha. Nos últimos tempos o Dão foi inserido no grupo das regiões mal amadas do País, talvez pela hegemonia do Alentejo e do Douro, ou talvez pela influência que as cooperativas da região tiveram durante cerca de 30 anos, provocando uma quebra muito significativa na qualidade dos vinhos que sempre foram tidos como referência de qualidade e longevidade. Um hiato, que afastou esta região do gosto do consumidor moderno, tem ainda hoje um perfil de vinhos caracterizado pela dureza da acidez e a sensação de secura transmitida pelos taninos verdes (como quando trincamos uma banana verde). Terá sido negligência por parte de quem geria a região, ou talvez a simples ignorância dos factores determinantes de maturação das uvas e possivelmente práticas enológicas e de vinificação inadequadas ao estado de maturação da matéria prima. A verdade é que, no Dão existem e sempre existiram vinhos “haute de gamme” como os magníficos da Borgonha, o problema sempre esteve na gama de entrada! O vinho publicitado é sem dúvida um exemplo de sucesso, vinho proveniente de uma região mal amada, que arrisca colocar no mercado colheitas bastantes recentes, para uma região que normalmente obriga a reservar os seus vinhos na cave, devido à rusticidade dos taninos que vem apresentando. Será este vinho, um DÃO!
por Hélder Cunha
Vinho: Quinta de Cabriz Colheita Seleccionada 2003

Região: Dão – Carregal do Sal

Produtor: Dão Sul

Aspecto: Cor ruby ligeira

Aroma: Simples, algum fumado e funcho

Paladar: É ligeiro, muito macio, com algum volume e um final doce com uma acidez capaz de o segurar.

Apreciação Global: É um Dão fora do normal, está pronto a beber e não tem qualquer secura. É um vinho simples que prima pela sua maciez e elegância.

Nota: 14,5

por Hélder Cunha

quinta-feira, Abril 28, 2005

"Vende-o TU!"

Numa prova, há uns dias, com o António, ele propôs-me começar a escrever para o “lóbi do vinho”. Foi a primeira vez que ouvi falar deste blog, no qual agora participo, com enologia de ponta...

Em França, Dom Perignon, um dos monges benedictinos que no sec. XVII habitava a abadia de Hautvillers, na região de Champagne e que seria, com alguma certeza, o enólogo da abadia, ficou na história como o inventor dos vinhos espumantes. O monge sem se aperceber que engarrafava vinhos com a fermentação alcoólica por terminar fazendo com que as rolhas das suas garrafas saltassem , não por obra do demónio, mas devido ao arranque de uma segunda fermentação (despoletada pela subida da temperatura com a chegada da Primavera), produziu o primeiro Champagne. Houve concerteza algum enólogo Italiano com semelhantes práticas. Em Itália, na região de Veneto, onde é produzido o Prosecco, existe documentado em 1710, o primeiro vinho espumante natural. Em Espanha, na Catalunha, aproveitando a hegemonia do Champagne nos finais do sec. XVIII associado a uma boa viticultura e castas brancas autoctones da região, surge o Cava, que é também já uma referência dos vinhos espumantes. O que escrevo é facilmente acessível numa rápida busca no Google. Mais difícil é tentar saber alguma história do espumante Português. Parece-me mais um dos nossos produtos vinícolas em que não conseguimos acertar no Marketing. Ao falarem com qualquer comercial a operar no mercado de exportação ligado a esta indústria e lhe pedirem: “Não queres pegar neste espumante para vender no mercado Inglês”, a resposta mais provavél será: “Vende-o tu!”. Isto acontece, não porque o que fazemos em Portugal ao nível dos espumantes tenha falta de qualidade ou carácter mas, talvez porque não temos por trás, um nome, uma história, uma região ou um País que só por si venda!
por Hélder Cunha
Vinho: Espumante Vértice Reserva Bruto 2000

Região: Douro - Alijó

Produtor: Caves Trasmontanas

Aspecto: Espuma persistente, cor palha ligeira, bolha muito fina

Aroma: Fermento, algum alperce e ginja, nota alguma boa evolução

Paladar: Tem volume, sente-se o fermento, a acidez cresce e segura o vinho, termina um pouco curto.

Apreciação Global: É um espumante bem trabalhado, muito correcto, está a evoluir bem, tem pouca intensidade aromática embora com alguma complexidade, bom volume na boca.

Nota: 16

por Hélder Cunha

Enologia de ponta...

Conforme combinado, aqui fica a actualização do Lóbi do Vinho. Desta feita com uma surpresa. Contamos com a simpática participação de mais um enólogo profissional. Bem-vindo Hélder Cunha.

sexta-feira, Abril 22, 2005

A saga dos best sellers...

... Nos tempos em que era mais iletrado nesta questão dos vinhos, não era pouco comum ouvir o meu pai dizer que este ou aquele vinho não lhe “sabia” tão bem, como lhe tinha “sabido” na semana ou mês anterior Na altura achava que o devia ser “impressão” dele por falta de paladar afinado dos dois maços de Marlboro diário ou simplesmente influência das diferentes situações em que tinha provado o vinho. Na realidade ambas são em parte verdade, mas outra verdade também é que nas marcas ditas “best-sellers” com volumes de produção de milhões de garrafas, o vinho que está na garrafa em Março é normalmente diferente do vinho de Abril e ainda mais diferente será do vinho de Junho. Passo a explicar porquê. Para se fazer um engarrafamento é necessário antes fazer o loteamento ou “blend”, que consiste em misturar os diferentes vinhos da adega de castas ou localizações diferentes, de forma a atingir o vinho com o perfil pretendido. Até aqui tudo bem! O vinho tem então que ser transferido para uma ou mais cubas que vão alimentar a linha de engarrafamento. A realidade, é que é logisticamente impossível fazer um lote de 5 milhões de litros igual. As razões são as mais diversas, como: não existem normalmente reservatórios com mais de 250 000 nas adegas; o engarrafamento não é todo feito na mesma altura e por vezes o vinho vai sendo comprado pela adega a outros produtores de acordo com as necessidades. A realidade é que normalmente se tentam fazer vários lotes com características semelhantes e vai-se mantendo, quando há esse cuidado, cerca de 25% do lote anterior. Até aqui ainda tudo, mais ou menos bem! O problema, ou por outra, a falta de honestidade de alguns best-sellers aí da praça, é colocar lotes com característica muito melhores no inicio, na altura de lançamento da nova colheita, de forma a agarrarem o consumidor, e então depois os piores. Depois do consumidor agarrado, altura em que este solta então o comentário “Isto já me “soube” melhor”. A título de experiência comprem duas garrafas de “Montes Idosos 2004” bebam agora um e guardem o outro. Agora até eu gosto, lá para Julho comprem de novo a mesma garrafa e comparem. Para quem quer fugir disto, procurem produtores de volumes mais pequenos que garantem consistência dentro da mesma colheita. O que, para além disso, sempre é mais original.
por António Maçanita
Vinho: Touriga Nacional 2003

Produtor: Borges

Cor: Violeta Intenso, concentrado e muito límpido.

Nariz: Intenso, Limpo aromas florais da Touriga nacional.

Boca: Entrada cheia, encorpado, presença de aroma na retro nasal, fim de boca com algum amargor e acidez, taninos presentes.

Apreciação Global: Um bom Touriga peca, como muitos Tourigas mono casta pela simplicidade do aroma.

por António Maçanita

domingo, Abril 17, 2005

Vinho: Monte do Travesso 2003

Produtor:
Bernardo Nápoles

Cor: Cor violeta escuro Intenso, concentrado até às pontas.

Nariz: Intenso, aroma ainda pouco definido, algumas notas de madeira e toques herbáceos

Boca: Super entrada, bom volume, taninos evoluídos e firmes, alguma insistência do aroma herbáceo na retro nasal, boa persistência no fim de prova.

Apreciação Global: Um vinho com grande potencial. Com uma boca e cor excepcionais infelizmente com um aroma abaixo do conjunto.

Nota: 16.5

por
António Maçanita

Desculpas do Lóbi do Vinho

As nossas desculpas pela falta de actualização deste blogue. Doravante serão apresentadas provas de vinho todas as quintas-feiras.

domingo, Fevereiro 20, 2005

Algumas sugestões de restaurantes no Porto:

Restaurante Cufra (Avenida da Boavista)
Restaurante Terra (em frente ao Cafeína)
Restaurante D’Oliva (Matosinhos)
Restaurante Solar do Pátio (junto ao Mercado Ferreira Borges)

Em Viseu:

Restaurante O Cortiço (centro histórico)

Vou evitar fazer um comentário extenso a todos eles. O Cufra, conhecido pelas francesinhas, esteve bem. O Terra podia ter melhor serviço (tirando a caucasiana simpática), mas esteve muito bem nos pratos. O preço é de fugir.
O D’Oliva tem a mais valia de servir com simpatia até tarde. Bem frequentado e sobretudo animado (pelo menos a nossa mesa).
Quanto ao Solar do Pátio, não estava ao seu melhor nível. Mas ainda assim, uma referência.
Sobre o Cortiço, ainda me custa falar nele. Dois litros de água das pedras não chegaram para combater os quilos de comida típica que lá nos serviram. Bom serviço e preço aceitável.
Espero recuperar o estilo mais detalhado (como fizemos com o Fuso), mas por enquanto, e por ter visitado estes restaurantes em viagem, ficam com estas sugestões sem muita opinião.

terça-feira, Fevereiro 08, 2005

Inicio do ano...

Estes primeiros dois meses de 2005 estão ainda a ser mais difíceis do que esperado…
Da minha parte quem é ou foi estudante compreende a ausência forçada… Estes dois meses de arranque de ano deixam muito pouco tempo para fazer o que quer que seja.
O JCS anda a correr o país de lés a lés e só deverá poisar em frente a um computador lá para meados de Fevereiro.
O nosso profissional do vinho esse felizmente continua a presentear-nos com conselhos e histórias sobre vinho quando consegue uma janela de tempo.

Mas uma coisa é certa, o final de Fevereiro trará mais noticias do néctar e com certeza mais visitas a restaurantes para comentar/classificar aos leitores do lóbi.

Aproveito para relembrar que continuamos com o nosso correio do vinho, onde temos recebido algumas sugestões, de vinhos e restaurantes, que nunca são demais.

sábado, Janeiro 29, 2005

... Na minha volta pelas adegas ...

À medida que vou provando mais um “Ribatejo” que chega a 3 euros mais trocos às prateleiras das grandes superfícies, mais me apercebo como algumas regiões continuam super inflacionadas em relação a outras, ou por outra sub inflacionadas em relação a outras. Passo a explicar: este vinho bate-se de frente com qualquer 5-6 euros do Alentejo, não pondo na mesma corrida os “best sellers” nacionais, os tais “Montes idosos” ou “Petiquitas”, que esses apanhavam 10-0 deste vinho, ainda que no preço estejam na casa dos 4-5 euros. Bem! O Ribatejo continua a carregar o peso da sua história de “marteleiro”, apesar dos esforços, já com resultados, de muitos produtores para uma produção mais em qualidade que em quantidade, enquanto outros, o indiscutível Alentejo que representa neste momento 60% das prateleiras das grandes superfícies e 50% do mercado engarrafado nacional, folga de uma reputação, merecida, de vinhos de qualidade. Merecida porquê? Porque, prima por não fazer, ou quase não fazer maus vinhos, querendo isto dizer que o consumidor pouco informado escolhendo “ao calhas” um vinho alentejano (isto se não escolher os anteriores referidos, porque os conhece) tem menor probabilidade de apanhar um mau vinho, do que se se virar para as outras regiões. Mas, o reverso da medalha é que os vinhos alentejanos estão por regra mais caros quando comparados por vinhos de qualidade idêntica de outras regiões, sendo dificilmente um “best buy”. Uma grande prova disto é a dificuldade que o Alentejo tem na exportação de vinho quando comparado com Ribatejo e Estremadura em que existem várias companhias que chegam a exportar 90% da sua produção. Ao que parece está mais fácil vender caro em Portugal do que no estrangeiro… Deve ser da crise!
Importante lembrar que sou produtor de vinho no Alentejo.

(Sugestão gastronómica: um bom vinho para acompanhar com um “prato de carne de Almeirim pouco condimentado, de carnes vermelhas ou caça”)


por
António Maçanita

Vinho: Nova Safra 2002

Produtor: Pinhal da Torre - Ribatejo

Cor: Boa cor, tons de violeta, limpo, não é super intenso, mas bom

Nariz: Intenso, aroma a cabedal fundido com frutas vermelhas, alguma complexidade

Boca: Boa entrada, meio-corpo, acidez super presente e bons taninos ...

Apreciação Global: Mais um bom vinho, este já com notas de envelhecimento, talvez um pouco duro para o consumidor apreciador de vinhos suaves.

Nota: 15,8

por António Maçanita

segunda-feira, Janeiro 24, 2005

Restaurante O Fuso
Rua Cândido dos Reis, nº 94
2630 - 216 Arruda dos Vinhos


Da lista que nos é proposta, não pude deixar de optar pelo bacalhau na brasa por ser o que realmente torna o fuso um restaurante conhecido e falado, dentro e fora de Arruda dos Vinhos.
O bacalhau é assado na brasa logo na entrada do restaurante, numa magnífica “lareira” onde também são assados os enchidos que são servidos de entrada.
Assim que o fiel amigo chega à mesa, compreendemos o preço que à partida nos parece excessivo em comparação com os restantes pratos listados. A dose que é servida é verdadeiramente de “enfarta brutos”, servindo à vontade para duas pessoas que comam bem. Pena que não vendam meia dose…
O prato é de uma qualidade notável, o nível de salinidade, tão importante para a qualidade do bacalhau, é homogéneo tanto nas partes altas com nas partes mais baixas do bacalhau. É servido numa enorme travessa com muito azeite e alho e acompanhado de batatas cozidas. Sem dúvida vale a pena experimentar este prato mas nunca é demais referir que é um erro tentar comer uma dose sozinho apesar de o empregado nos ter garantido que há quem o faça.
bacalhau por CSDA


Paletilha de cordero lechal
é uma novidade no Fuso. Estamos na dúvida, quantas mais certezas temos. De tantas vezes ter repetido que ia para o bacalhau ou para a costeleta, encarregou-se o mundo de servir uma novidade (para mim). Foi então que decidi pedir meia dose de paletilha de cordero lechal. Num primeiro julgamento, considerei uma forte estocada no meu nacionalismo. Considerava ultrajante inaugurar as apreciações de restaurantes no Lóbi do Vinho, com um prato cuja essência grassou no país vizinho. Mas foi mesmo isso.
Prato servido aos fins-de-semana (informação do assistente), chegou para me esclarecer face à costeleta. A possibilidade de escolher meia dose, e o potentíssimo sabor da carne (que nem sempre se pode encontrar na costeleta transformada pelas brasas), fazem deste prato de fim-de-semana, a segunda escolha no Fuso. Naturalmente que o primeiro lugar é propriedade do bacalhau.
No Fuso, somos surpreendidos pela constância de uma boa refeição. Por vezes temos a sorte de escolher um bom restaurante, mas encontramos falhas ora no serviço, ora nas entradas ou nos pratos. Não no Fuso.
Contudo, entendamos todos estes elogios sem embargo de nos revoltarmos perante os preços. Sem sobremesa e com vinho, a nossa visita a Arruda quedou-se pelos trinta e cinco euros por pessoa. Um exagero típico dos restaurantes afamados.
paletilha de cordero lechal por JCS

domingo, Janeiro 23, 2005

Já temos o primeiro restaurante visitado. Fomos a Arruda dos Vinhos ao Fuso, e contamos relatar aqui a comezaina (dentro de momentos). Entretanto, deixo-vos aqui o vinho que nos acompanhou, por sugestão de António Maçanita.

Quinta dos Aciprestes
Douro
2001

quarta-feira, Janeiro 19, 2005

Vinho: Dignitas 2003

Produtor: Herdade Outeiro de Esquila

Cor: Intenso, violeta escuro, concentrado

Nariz: Intenso, toques de anis, baunilha; fruta madura, madeira bem integrado

Boca: Boa entrada, cheio; taninos presentes e finos, boa persistência, um pouco alcoólico no fim.

Apreciação Global: um bom vinho, claramente acima da média

Nota: 16,5

por António Maçanita

Este blogue depende dos seus leitores

Caros leitores,

O propósito deste blogue exige a participação dos seus leitores. De todo o Portugal, gostávamos de receber propostas por correio electrónico. A blogosfera, que tem a central virtude de nos aproximar, é um fantástico veículo para conhecermos melhor o nosso país, e em concreto, a cultura gastronómica e onde se come bem em Portugal. Qualquer restaurante, seja em que ponto do país for, é uma boa sugestão.
Para tanto, gostariamos de contactar com a vossa participação por correio electrónio e/ou comentários aos textos. Em relação às sugestões de vinhos de António Maçanita, pelo mesmo meio podem ser dirigidas mensagens, que ser-lhe-ão entregues e às quais dará resposta.

segunda-feira, Janeiro 17, 2005

Razão de ser

Este blogue inicia aqui um processo de fórum alargado sobre vinhos e restaurantes. Parceiro do Lóbi do Chá, blogue onde escrevo, serve este espaço para conversarmos sobre vinhos à mesa. Vamos falar sobre restaurantes, mas essencialmente sobre vinhos, onde contamos com a participação de um excelente enólogo que vos espero apresentar ainda esta semana, logo com uma sugestão de vinho.
Fica como ideia inauguradora deste blogue, aquela tese de que primeiro devemos escolher o vinho e só depois, o prato que vamos comer. Por razões geográficas, os nossos conselhos terão como quartel-general Lisboa. Porém, o enólogo de serviço irá trazer notícias do Alentejo, e nós, nas nossas viagens, iremos contar tudo.